terça-feira, 30 de março de 2010

E a matéria virou confusão

Foto: Alagoas24horas

Sabe quando você pega uma pauta e sente que ela vai dar o que falar? Bem assim foi o que aconteceu, com uma que fiz semana passada. Os policiais que trabalham na Central de Polícia estavam reclamando que esperavam mais de 12 horas com os presos para conseguir fazer exame de corpo e delito. Isso por que faltariam médicos legistas, principalmente no horário noturno, no Instituto Médico Legal Estácio de Lima.


Minha missão era ouvir os policiais, através da diretora da Central de Polícia, Gorete Cavalcante e também o diretor do IML, Kleber Santana para saber até que ponto as reclamações tinham fundamento. O que eu não esperava e que os dois iam colocar a “boca no mundo” e uma guerra de instituições seria declarada.


Gorete foi clara ao afirmar que os médicos eram relaxados e não ficavam em seus horários de plantões, principalmente no noturno. Disse ainda, que eles estavam sendo prejudicados por ficarem presos após um plantão de 24 horas, aguardando a vontade do perito de trabalhar quando quisessem. Isto estava gerando reclamação geral entre os policiais civis.


Quando fui conversar com o médico Kleber Santana, ele não gostou das acusações. Aproveitou para falar sobre suas desconfianças e dizer os motivos que os exames não eram feitos. Defendeu seus funcionários e garantiu que todos os dias o IML tem médico legista, inclusive no horário da noite, mesmo sem receber o adicional noturno.


Mostrando um pouco de irritação, Santana disse logo: - “Pode colocar na sua matéria que foi o diretor do IML que falou. Os exames de corpo e delito, não são feitos nos presos que chegam sem identidade. Existe uma Lei Estadual que só permite que o exame seja feita com um documento de identificação. Algumas vezes, policiais numa tentativa de esconder casos de espancamento, levam outros detentos sem documentação com foto, no lugar do preso verdadeiro que teria sido agredido. Preso sem documentação não faz exame no IML”, garantiu.


Ainda num tom de denúncia ele colocou que os delegados de polícia muitas vezes não estão nas delegacias quando deveriam estar e ainda, em casos de crimes nunca vão ao local. “Se formos recolher um corpo em Coruripe, precisamos ir a Penedo pegar a requisição de liberação na Delegacia, por que o delegado que deveria ter ido ao local do crime não foi. E essa situação se repete em outras cidades. Se você for ao IML agora, vai encontrar médico, já numa delegacia não tenho certeza se o delegado vai está lá”, disse.


Depois de conversar Santana, tive que voltar a falar com a Polícia Civil. Dessa vez, a vítima da repórter era o diretor geral da Polícia Civil, delegado Marcilio Barenco. Acho que ele estava de bom humor nesse dia, que não quis polemizar. Calmo, falou desconhecer as acusações e que esperava que o diretor do IML fizesse uma denúncia informando quem são os policiais que fazem essa prática. Já em relação aos delegados, ele disse que isso acontece apenas nos fins de semana, quando as delegacias dos municípios fecham e apenas as Regionais funcionam.


A matéria foi publicada na última quinta-feira. Estranhei na sexta nenhuma contestação. Porém, ontem a Associação dos Delegados de Polícia Civil resolveu questionar as graves denúncias e negar que essa situação existe. Estava instalada a confusão. Antônio Carlos Lessa, representante dos delegados informou através de sua assessoria que iria interpelar judicialmente Santana e que ele teria que provar as acusações através de inquérito policial.


É assim que uma matéria vira uma verdadeira confusão... Eu fiquei apenas com a parte de ouvir os envolvidos. Cada um que defenda sua classe e acuse quem quiser.


Espero que essa história não pare por ai, já que o mais importante nisso tudo é que se investiguem todas as situações. Tanto a feita pelos policiais, já que não é aceitável que os médicos não estejam trabalhando e muito mais a que foi feita pelo diretor do IML. A tortura deveria ter ficado na época da ditadura e infelizmente, sabemos bem que essa prática continua acontecendo todos os dias...

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