sábado, 20 de março de 2010

O privilégio de uma boa matéria...

Fonte de água natural - Catolé

Barragem do Catolé

Essa semana recebemos – eu e mais três repórteres – a missão de fazer uma grande reportagem sobre o abastecimento de água em Maceió. Tínhamos o tempo curto e muita coisa para descobrir. Cada uma ficou com uma parte. Uns falariam sobre as finanças e investimentos no sistema de água, outros sobre o desperdício e a falta, e eu, sobre a situação dos mananciais que abastecem toda a capital alagoana.


Quando recebi a pauta, não tinha nem noção do que encontraria pela frente. Mas, estava curiosa para descobrir como a nossa água chega as nossas torneiras, e principalmente de onde elas vem. Não contei história. Marquei logo as entrevistas e quis ver de perto os nossos sistemas de abastecimento.


Primeiro, estive no sistema Pratagy. Vi o passo à passo do tratamento de água e recebi um norte para o seguimento da minha matéria. Ainda não tinha noção do que me esperava. Foi no dia seguinte que tive uma doce e maravilhosa surpresa, que nem imaginava. FIQUEI COM A MELHOR PARTE DA MATÉRIA. Pelo menos para mim, foi!


Enquanto meus amigos repórteres pegaram a parte burocrática da matéria, eu fui me aventurar na Mata do Catolé, em Satuba. O lugar é fantástico, de uma beleza ímpar. Entrei na mata fechada, pisei na lama, andei horrores, quase cai, tomei banho de chuva, usei tênis – que detesto – mas me diverti como nunca. Além, de encher meus olhos e minha alma com a magnitude da lugar.


Aquela área que fica localizado próximo a Ladeira do Catolé é responsável por boa parte do abastecimento de água da cidade. Num mesmo local, cercado de Mata Atlântica funcionam os dois sistemas de abastecimento. O primeiro, menos complexo e bem mais simples é o Aviação. É um pequeno riacho, cheio de baronesas e muitos peixinhos que tem sua água sugada para um decantador. Ela recebe o tratamento apenas com cloro. Após isso, é enviada para tanques que abastecem a caixa d’água da Cidade Universitária e outros sete bairros.


Mais adiante vem uma das paisagens mais bonitas que já vi na minha vida. Basta andar cerca de dois quilômetros e está lá, esplendorosa a barragem do Catolé – Cardoso. Apesar de em alguns pontos da margem a mata está maltratada, o local parece nunca ter sido tocado pelo homem. A água é cristalina e reflete todo o verde da encosta. Para chegar a mata é preciso atravessar o pequeno muro de contenção da água da reserva.


A mata fechada é de difícil acesso. Não é todo mundo que conhece aquela área. Para fazermos a nossa “aventura jornalística” tivemos o apoio de uma equipe do Batalhão de Polícia Ambiental, que mais uma vez foram essenciais no nosso trabalho. Depois de uma longa caminhada, se esquivando de vários obstáculos, árvores de todos as espécies de Mata Atlântica e tamanhos, conseguimos encontrar uma das nascentes do Catolé.


Ao longe da mata o barulho da água já pode ser escutado. Ao se aproximar, o burburinho fica ainda mais intenso. Assim como todo o riacho, a água da nascente é ainda mais pura e cristalina. Brota de dentro da terra e escorre passando pelas árvores até chegar à margem da barragem. O gosto chega ser ainda mais refrescante do que a saída das torneiras que estamos tão acostumados. É claro que não perdi a oportunidade de experimentar.


Chegar naquele local de nascente e poder me deparar com tanta beleza daquela mata me vez ver como somos iluminados e o quanto é importante preservar o que ainda existe de natureza. O cheiro do verde das árvores, o frescor da água pura, o canto dos pássaros e até mesmo a chuva que caiu inesperadamente e me deixou completamente molhada renovou todas as minhas energias.


Um lugar tão lindo, tão puro, tão perto da gente. Pena que ainda existem pessoas que desmatam esses lugares, jogam lixo – esquecendo que vai durar anos para desaparecer no meio ambiente, e não estão nem ai para o amanhã.


A matéria completa, com fotos lindas está no O JORNAL desse domingo. Nos quatro mosqueteiros dessa missão, chegamos a conclusão com todo o conteúdo apurado, que senão for feito algo urgente, principalmente em relação a preservação dos nossos rios, riachos e do nosso lençol freático poderemos ficar sim sem água. A cidade está crescendo desordenadamente e a estrutura vai precisar ser mudada para atender toda a população que já sofre sem água hoje.

3 comentários:

  1. Ai como amo ler o que vc escreve. Nem sei se é por puro deleite de uma mãe ou por saber que vc é uma excelente profissional. E olhe que eu sou bem crítica, mais parece que a genética faz uma diferença grande ai. Muito linda essa matéria a sua cara. Beijos amor. Mamy te admira e ama muito

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  2. Layra,

    vi o material. Realmente ficou muito bom. Texto e fotos deram noção da realidade sem economizar espaço.

    Parabéns!

    Marcos Tchôla

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  3. Cor-de-Rosa!!!! Moreca, só pude ler ontem, no trabalho. Excelente material, digno de premiação. Compensou o esforço, né? Também gostei, deveras!, das fotos da "Cat". Aliás, você tão fazendo uma "dupra-de-duas" muito afinada, que resulta num trabalho pra lá de competente, né não? Bjoks,

    S.

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