sábado, 6 de março de 2010

A primeira vez a gente nunca esquece...

Foto: Alagoas24horas

Ando num momento reviver... Dias cheios de lembranças. Hoje me peguei pensando na primeira vez que fiz uma reportagem. É igual ao primeiro beijo, aquele que a gente nunca esquece! A minha foi num momento trágico para algumas pessoas, mas acho que foi crucial para a decisão do rumo que queria levar na minha vida profissional.


É engraçado, o meu batismo jornalístico aconteceu na manhã do dia 27 de dezembro de 2005. Já faz cinco anos, mas lembro como se fosse hoje, cada detalhe do Incêndio que atingiu o Cheiro da Terra. Se fechar os olhos consigo me transportar no tempo e reviver cada momento, do momento mais importante da minha vida.


Era estagiária do O JORNAL. Tinha uns três meses que tinha sido contratada para ajudar na pauta. Mas naquele dia, o dia da minha estréia tudo conspirou a meu favor. Cheguei antes dos repórteres, o incêndio que tinha começado na madrugada já estava destruindo tudo no Cheiro da Terra e O JORNAL precisava chegar lá para não perder os principais momentos. A chefe de reportagem sem outra opção teve que confiar na estagiária e mandá-la para a matéria.


Nesse momento várias coisas passaram na minha cabeça. Uma é claro, a felicidade de ter sido escolhida – também não tinha outra opção; sem falar do medo que também senti de não dar conta. Nunca tinha escrito nadaaa e de repente me deparo com a manchete – notícia principal - do O JORNAL no outro dia. Mas tive que encarar.


A partir daquele momento me apeguei a cada detalhe. Não consigo esquecer aquele fogo vermelho que consumia tudo; o desespero das pessoas entrando no Cheiro da Terra, numa atitude arriscada para tentar salvar o que ainda não tinha sido atingido; das garrafas de cachaça artesanal explodindo ao serem consumidas pelas chamas; e do trabalho incansável do Corpo de Bombeiros, que naquele momento tinha as mangueiras furadas e poucos carros com água, para apagar o fogo.


Foram horas de desespero, correria, e muitas lágrimas. Apesar da adrenalina que sentia naquele momento, a tristeza das pessoas e os inúmeros relatos afirmando que foi um incêndio criminoso fez surgir em mim meu extinto de investigação. Nascia ou aparecia minha vocação e paixão pelo jornalismo policial.


Sem dúvida assim como aquele momento trágico sobrevive na memória de quem perdeu tudo, ele habita a minha, mas não como uma lembrança triste. Aquele dia de 2005 foi a minha estréia no jornalismo de verdade. Amo esse tipo de matéria... Amo o que eu faço... Não sei como seriam os meus dias sem essa emoção proporcionada pela editoria de Cidades. Podem acreditar é uma nova experiência a cada dia!!!


RELEMBRE – Em 2005 o Cheiro da Terra foi destruído pelo fogo depois de um curto circuito na instalação elétrica. O incêndio começou pouco depois das 7h, quando o mercado ainda estava fechado. As chamas se espalharam rapidamente. Cento e sessenta boxes foram destruídos.


Na época os comerciantes afirmavam que o dono do terreno vinha brigando para expulsá-los, por isso eles acreditavam na possibilidade de incêndio criminoso. Hoje parte do local é um estacionamento, e o restante espera para se tornar um grande empreendimento imobiliário em frente à praia.

2 comentários:

  1. Eita....jamais se esquece a primeira!!!! Showww

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  2. É eu me lembro que você chegou em casa super empolgada contando os detalhes kkkkkkkkkkkkk Parabéns amor você é meu orgulho!! Te amo!

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