segunda-feira, 1 de março de 2010

Triste fim...

Fotos Lula Castello Branco

Não é novidade para os que me conhecem, a queda que tenho pela reportagem policial. É uma das minhas paixões, o meu fraco, ou melhor, meu forte já que é algo que me identifico. Adoro fazer matérias de operações, prisões de quadrilhas, incêndios, acidentes, e sem falar dos casos de homicídios – ou dos mortinhos, como carinhosamente chamo as vítimas da violência,na tentativa de minimizar a tensão. Mas, acho que com o passar dos anos estou ficando mais sensível.


Hoje especialmente fiz uma matéria que mexeu bastante comigo. Era mais um assassinato em Maceió. Só que dessa vez a vítima era uma mulher, moradora de rua, que estava grávida de aproximadamente cinco meses e foi morta a pedradas. Acho que essa combinação foi o que me deixou chocada. Sem falar na quantidade de gente que faz questão de ver a desgraça alheia.


Mas enfim... O local onde a mulher, futura mãe foi morta, é uma associação no Poço. Em todo o pequeno espaço onde ficava um jardim na frente da casa, os sinais eram de que tinha havido luta corporal e que aquela mulher tinha tentando sobreviver a qualquer custo. As marcas de sangue estavam por toda a parte. E ao lado do corpo a arma do crime, uma grande pedra com cerca de cinco quilos.


Fiquei analisando a situação. E me questionando o quanto a crueldade humana é grande! Não sei o que aquela mulher fez, mas tenho certeza que nada justificaria a forma que ela foi morta. Sua cabeça tinha três grandes marcas da pedrada. Lembrei de Maria Madalena que seria apedrejada e foi salva por Jesus Cristo, sem falar daquelas culturas que ainda insistem em maltratar as mulheres dessa forma. E durante todo o tempo não parava de pensar no triste fim que ela e o filho, que ainda iria nascer tiveram.


Acompanhei o trabalho da pericia. Tinha que ficar por ali, apesar do SOL escaldante, para saber se a causa morte teria sido mesmo as pedradas. Num canto da parede fiquei analisando toda aquela cena, e a cada mexida no corpo inerte, sentia um mal estar gigante. Me esforcei para conseguir completar o meu trabalho, e para isso mudei meu foco de atenção para as dezenas de curiosos que insistiam em ver de perto o fim que daquela mulher.


Apesar das diversas tentativas da Polícia Militar de afastar o povo, sempre um curioso de aproximava da mureta e olhava com uma “cara de horror” o que tinha acontecido e com uma desculpa esfarrapada diziam: - quero ver se é alguém conhecido. Como não era, já que a vítima seguiu para o IML sem identificação, se viravam e seguiam para outro lado da rua. Apesar de todo esse horror só deixaram o lugar quando o “rabecão” foi embora levando a vítima. Crianças, jovens e velhos fizeram questão de ver e acompanhar toda a cena.


A Polícia Civil que deveria investigar não apareceu. Receberá daqui a alguns dias ou meses o relatório da pericia dizendo a causa morte da mulher. Talvez e o mais provável é que o culpado por esse crime brutal nunca seja encontrado, muito menos punido. Outro fato é que mãe e filho devem ser enterrados como indigentes caso ela não seja reconhecida nos próximos oito dias.


Mais uma história triste que se repete...

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