segunda-feira, 5 de abril de 2010

“A fonte”

Estava conversando hoje com uma amiga jornalista e tocamos no assunto FONTE. Para quem não sabe, a fonte são aquelas pessoas que passam informações secretas ou não, em primeira mão para um repórter. Lembrei de algumas fontes que se tornaram minhas amigas e pensei no quanto são fiéis e parceiros. Sem eles o jornalista e o jornalismo estariam perdidos. Então, resolvi falar sobre eles que são tão essenciais.


Jornalista não tem bola de cristal. Não é vidente e muito menos consegue descobrir o futuro. Tudo que chega em primeira mão com exclusividade aos jornais, sites, telejornais e revistas, são passados por alguém. São as FONTES. Sem elas o jornalista não seria ninguém, não passaria de um mero mortal que sabe das informações por último.


Repórter que se preze tem que ter algumas, muitas fontes. São elas as responsáveis pelos grandes furos. Alguns, é claro,tem um interesse por trás da proximidade com o jornalista. É uma via de mão dupla. O jornalista escreve o que interessa “a fonte”, ganha a exclusividade, a confiança – fato importantíssimo – e vai estar na capa do jornal no outro dia com uma grande reportagem. A fonte será beneficiada tendo sua notícia divulgada.


Para conseguir uma boa fonte é preciso contatos, mas principalmente conquistar a confiança, baseada na credibilidade que só será possível mantendo a coerência ao passar a informação. Se você não souber repetir exatamente o que a fonte disse, tenha certeza que o contato será jogado no lixo. Tenho algumas fontes e tento sempre manter essa receita citada acima.


Para completar a ligação com as fontes se tornam tão únicas e de confiança que para mim em alguns casos, acabei ganhando a amizade. Tenho bons amigos, que começaram como boas fontes. Sempre me respeitaram e souberam exatamente que LÁYRA é uma JORNALISTA, trabalhadora da comunicação. Isso foi essencial para a relação se tornar fraterna.


Tem até uma situação engraçada que sempre lembro. Fiz um grande amigo, durante uma operação policial. Estava eu no começo da minha vida de repórter fazendo uma matéria no meio da mata em busca de um cativeiro, quando um policial baixinho, de olhos puxados, usando bala clava me chamou a atenção. Era diferente dos outros pelo tamanho e aquilo de certa forma despertou a curiosidade. Ele vai me matar quando ler isso, mas até fiquei em duvida no inicio se era um policial ou uma policial, já que durante todo tempo ele não abriu a boca.


A matéria passou. Dias depois, voltamos, digo voltamos porque fui eu e o repórter fotográfico Ailton Cruz, para fazer matéria com aquela mesma equipe. Dessa vez, o policial tirou a bala clava e quando olhei para os olhos reconheci de cara. Ele pediu as fotos da operação anterior, o Ailton tratou de mandar e acabamos nos tornando amigos.


Só Deus, eu e ele sabemos o quanto as dicas quentíssimas de operações passadas por ele já me ajudaram. Me salvou muitas vezes e me deu reportagens exclusivas, fazendo ainda que outros policiais acabassem confiando em mim também. A relação profissional existe e se mantém, mas hoje existe uma relação ainda mais forte, a relação de uma amizade verdadeira.


Além de trocarmos informações policiais, trocamos informações sobre nossas vidas. Sem dúvida posso dizer que a FONTE virou um dos meus melhores amigos. Assim como todas as relações é preciso manter o respeito, a atenção, e saber valorizar a informação.


Outra fonte muito boa são aquelas dos velhos e bons amigos. Aqueles que conhecemos há muito tempo, muitos anos antes de ser jornalista e eles de virarem fontes, policiais, bombeiros, engenheiros, dentistas, arquitetos, estudantes, mas pessoas que podem nos ajudar de alguma forma. Sobre essas pessoas, deixo para falar num próximo post.

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