sexta-feira, 16 de abril de 2010

Mais uma do IML...

Seria cômico se não fosse trágico a última do Instituto Médico Legal Estácio de Lima. Estou cada vez mais consciente que aquele local é o maior ponto de descaso e dignidade com aqueles que se foram de maneira trágica. Dessa vez, já com um novo diretor trocaram os corpos. Isso mesmo!!!


Hoje uma das minhas missões foi acompanhar o descaso com duas famílias que lutavam para recuperar os corpos trocados na manhã da última quinta-feira e ainda, o pouco que restava do respeito com seus entes queridos. O fato é que o IML trocou e entregou os corpos errados, o pior de tudo é que um deles chegou a ser enterrado.


Tudo é estranho nessa história. Primeiro porque não permitiram que umas das famílias entrassem para fazer o reconhecimento do corpo e entregaram um número de identificação. Esse teve o sepultamento e o velório completo. Já a segunda família, que chegou depois só tinha duas opções: ou ficava com um corpo branquinho ou com um moreninho que tinha as características parecidas com o parente. O reconhecimento errado foi feito por um amigo de infância que não contestou as diferenças.


A primeira família levou o corpo para capela do cemitério São José e mesmo com dúvidas o desespero da morte do jovem de 20 anos, fez com que eles acreditassem que aquele corpo entregue era mesmo do garoto executado a tiros no Jacintinho. As tias disseram estranhar: faltava um bigode, o morto estava mais inchado, a cor do cabelo diferente, mas como disseram que era ele mesmo, o que fazer? Restava apenas enterrá-lo.


O outro grupo seguiu para a cidade de Messias, local onde o outro jovem de 21 anos foi morto. O corpo foi arrumado como todas as pompas que um morto pode ter, mas uma professora da época do primário não reconheceu seu aluno no caixão. A família então mexeu de um lado, do outro. Estranhou a cor do cabelo, tirou a roupa e encontrou uma tatuagem com o nome de uma mulher que o seu morto não tinha. Então foi descoberto o mal entendido.


Correm de volta para Maceió e vão diretor ao IML reclamar a troca.Foi a própria família de Messias que se incumbiu de revelar para a de Maceió a troca.Foi um desespero geral. Um chororô enorme. Ninguém conseguia aceitar o que tinha acontecido. Senão bastasse a morte ceifada de forma trágica, ainda teriam que desenterrar no dia seguinte o corpo de um garoto que não era o do seu filho, sobrinho, marido ou amigo.


Já na outro dia de manhã, no caso hoje, a confusão vai parar novamente onde começou: na porta do IML. Junto com os problemas, começa o empurra – empurra. A direção do órgão diz não ter culpa, mesmo com um dos seus médicos legistas declarando a imprensa que “é comum essa troca de corpos. Isso viveria acontecendo, famílias levando o morto errado e voltando horas depois para trocar”. Foi aberto uma sindicância, mas será que vão descobrir alguma coisa?


Que situação viu, ver aquelas famílias lutando para dar um sepultamento digno para seus parentes que perderam a vida foi muito doloroso. Acabamos dividindo esse sentimento. Não tive coragem de ver o corpo de Maceió, que foi entregue aos familiares ainda sujo de sangue, com uma roupa velha, sem nenhuma flor e ainda, frio da geladeira do IML. O pai não tinha coragem de chegar perto do velório do filho.


Foi uma situação terrível. Era um corpo sendo desenterrado da cova e em menos de 20 minutos o outro indo para de baixo da terra. A família de Messias ainda abriu o caixão para conferir se o morto batia mesmo, o fedor do corpo em decomposição já era enorme. Esses não tiveram nem o direito de velar seu ente querido.


Isso é Alagoas. Isso é o IML. Lamentável esse descaso e falta de respeito com o cidadão.

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