quarta-feira, 7 de abril de 2010

Nosso dia!!!


Atire a primeira pedra quem nunca ouviu aquela bronca do editor chefe da redação; do diretor de jornalismo. Seja por uma matéria que não deveria sair, um simples erro gramatical, um fato que deixou de cobrir ou pelo estresse do chefe que brigou em casa e veio descontar em você... Enfim, são diversos motivos.



Um passo a frente quem nunca se sentiu confuso diante da primeira cobertura, com uma insegurança, quase um frio na barriga, era sua primeira matéria. Quase como o primeiro beijo, como o primeiro amor... Ela se tornou manchete, sua insegurança se evaporou no dia seguinte ao ouvir: “parabéns”...



Quero saber quem ousa dizer que nunca se sentiu inútil diante das transformações humanas, gostos, costumes, culturas... Mesmo aqueles hábitos que mais te incomodam. A inutilidade se deu mesmo com a sua imensa sede de mudança, a única ferramenta que te sobra é a caneta, o bloco de anotações e uma “liberdade de expressão”.



Quem nunca se sentiu um superman, quando sua reportagem repercutiu, saiu do seu controle, gerou outras pautas, criou um tititi na cidade, acionou o poder público, incomodou... Aí veio a mente o quanto nossa canetinha e nosso bloquinho são úteis e importantes...



Quem nunca cobiçou uma fonte alheia... Quem nunca levou um bolo de um entrevistado ou perdeu uma entrevista importante por causa do trânsito, de um atraso qualquer...



Quem nunca se encheu de café antes de compor uma matéria, quem nunca passou a mão na cabeça, como se isso fosse ajudar a produzir... Na verdade me diga quem nunca teve um hábito estranho antes de concluir sua escrita... Ou mesmo quando lembrou de uma pauta quentíssima!



Diga-me ainda quem foi esse que não percebeu que se equivocou com o colega novato, ele parecia bobo demais, você o subestimou e ele te surpreendeu e te superou...



Quem nunca desejou aumento de salário, quem nunca desejou trocar de carro, quem nunca pensou: “porque não me formei em médico ou advogado como meus pais queriam?”... Daí você começa a se imaginar dentro de um consultório, dentro de um escritório fechado, formal, enclausurado dentro de si mesmo... Falta algo...



Quem nunca pegou o sol do meio dia, ou uma chuva para poder cobrir uma matéria especial, que no final não teve tanta repercussão quanto você queria...

Quem não morreu de raiva do Gilmar Mendes e se sentiu desvalorizado quando o nosso diploma foi comparado a um curso de cozinha... Mesmo assim, o amor pelas entrevistas e trabalho não diminuíram.



E ao final de semana, você resolveu sair para distrair, marcou com alguns amigos no barzinho... Quer “desestressar” do trabalho, mas advinha qual o principal assunto da mesa: trabalho...



Quem nunca dormiu pensando numa pauta, com medo de esquecer no outro dia, interrompeu seu descanso no meio da madrugada e correu para anotar a idéia... Ou quem nunca acordou sem noção do que produzir no dia...


Quem nunca se sentiu um foca... E mesmo diante de muitas dificuldades, se você pudesse voltar no tempo escolheria ser jornalista... Então você nasceu para isto...



Como jornalista você pode saber de tudo um pouco... Quando você sai da redação, com a pauta na mão, você se vale do que? Como? Quando? Onde e por que? Você enche a vida de perguntas...


Sua benção e sua maldição é amar o que faz e perseguir este amor. É trabalhar aos finais de semana, aos feriados, no dia seu aniversário e com tamanha paixão dedicar-se...



Por que ser jornalista é não ter medo da morte, muito menos ter medo da vida... Ser jornalista não é ser parcial, mas verdadeiro, consigo com o consumidor da notícia...



Você é jornalista, mais que um contador de histórias, formador de opinião, responsável pelo sigilo das fontes ou pelo estardalhaço de uma informação...



Jornalistas, nossos “poderes” são grandes, mas nossa responsabilidade é ainda maior...



Parabéns!


*(Texto da jornalista Flávia Fontes. Achei a minha cara e também de muitos colegas de profissão. Como acabei de chegar de uma viagem a trabalho e estou acabada não tive inspiração para escrever. Porém, deixou essa singela homenagem a todos os jornalistas, amigos queridos, pelo nosso DIA!)

Um comentário:

  1. Taí, Cor-de-Rosa... eu não conhecia esse texto e, enquanto lia, achei que era a mais pura Láyra escrevendo...
    Parabéns para você também, grande jornalista!
    Bjoks,
    S.

    Ei... sempre fico de perguntar: C se chateia que eu chame, comantingamente, de Cor-de-Rosa?

    ResponderExcluir