quinta-feira, 20 de maio de 2010

Eu não queria estar lá...

Foto Alagoas24horas

As vezes agradeço a Deus por não ser enviada para fazer determinados tipo de reportagem. Hoje foi um desses dias. Dia que senti de certo modo alívio. Sei que tenho que ser e muitas vezes sou sangue frio, mas quando se trata de mortes, onde a vítimas são crianças sempre fico abalada.


A notícia que estou me referindo trata-se de uma tragédia que envolve uma menina de 12 anos e de um bebê de apenas um ano e oito meses. Eles caíram num poço, enquanto brincavam no fundo da casa dos pais do mais novo, no bairro do Clima Bom. Chegaram a ser socorridos ainda com vida, mas não resistiram e morreram a caminho do Hospital Geral do Estado.


Testemunhas contaram que as crianças que eram primos tinham saído de casa logo cedo. Eles foram para o terreno - onde funcionava no passado uma garagem - para se divertirem, quando por uma fatalidade o bebê subiu no poço que ficava coberta por telhas e quando a menina foi pegá-lo, se apoiou e acabaram desabando.


O poço tem uma profundidade de cerca de 80 metros. Foram necessários mais três horas de um trabalho incansável dos bombeiros para conseguir retirá-los. Uma multidão esperava o resultado. Pelas fotos pude ver o semblante das pessoas de expectativa e comoção. A notícia da morte chocou a todos.


Não cheguei a ver imagens dos pais, mas imagino o tamanho da dor que eles estavam sentindo. Como repórter ter que conversar com eles é sempre a pior parte. Dói neles, mas dói em mim também. Ali sou a profissional, mas o sentimento é impossível de não aflorar em determinados momentos. A perda é sempre difícil e quando se trata de crianças é muito maior.


Espero que apesar da dor, que imagino que esses pais estejam sentindo, eles não se sintam culpados, já que não existem culpados. Acredito que foi uma fatalidade. Assim como tenho certeza que apesar daquele poço está sendo mantido ali no quintal, coberto apenas com telhas, eles jamais imaginariam que isso poderia vir a acontecer. Nesse momento só nos restar rezar e pedir a Deus que vele por eles.


É lamentável o acontecido. Aproveito para deixar meu recado para os pais. O cuidado é sempre um bom amigo. Não custa nada cercar ou cobrir piscinas, tapar grandes buracos, poços, tomadas mais baixas, colocar grades em janelas de uma forma que dificulte o acesso das crianças. Muitas vezes eles não sabem o perigo que correm e acabam se metendo em enrascadas, algumas sem volta.

Um comentário:

  1. Ontem, viajei o dia todo. Pela manhã, a trabalho; à tarde, vim para Recife. À noite, já no hotel, vim dar uma olhada nas notícias, abri sites de Alagoas. Vi a manchete desse caso, mas não tive coragem de ler a matéria. Vi que se tratava de algo muito triste, e não tive coragem. Afinal, vim para me divertir, me desligar um pouco.
    Hoje, abro meu blog e vejo que teve atualização aqui, no seu blog. Vim ler, atraída pelo título. Fiquei arrepiada com o fato e com o relato, mesmo você não tendo estado lá.
    Lembrei muito dos meus tempos de repórter, e de como eu não gostava de fazer determinados tipos de matéria. O caso do atropelamento de um menininho de 2 anos, em frente ao Eustáquio Gomes, me marcou até hoje. Ainda lembro dos gritos da mãe. E isso aconteceu em 1989... Dói mesmo.
    Saudades, viu?
    Bjoks,
    S.

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