quarta-feira, 9 de junho de 2010

Por um triz...

Todos os dias recebemos lições interessantes. Recentemente, tenho tentando trabalhar minha paciência, essa que se perde num piscar de olhos. Algumas vezes consigo vencer uma característica minha muito forte, a intolerância, irritação de uma hora para outra, mas tem dias que é difícil.


Ultimamente estou vivendo esse momento de impaciência bastante acentuado. E hoje foi mais um dia que ela aflorou. Estacionei o carro em frente a garagem que estava sombra e subi para o apartamento. Tentei descansar a tarde inteira e não consegui. Foi o telefone tocando, alguém que não era para mim apertando na cigarra e por ai vai.


Até que chegou o pingo que faltava para eu explodir. Escutei vindo de baixo uma barulheira de bola batendo na grade, lembrei do meu carro estacionado. Sabia que os meninos filhos dos vizinhos estavam jogando bola. Não contei história, desci fervilhando. Apenas liguei para o Luiz para comunicar o que iria fazer.


Estava pronta para dar uma bronca em quem quer fosse que batesse no carro. A fúria não estava preocupada se eram crianças, adolescentes, adultos ou velhos. Já falamos tanto para ter cuidado, mas nunca adiantou. Estava de saco cheio. É claro, que Luiz que está de plantão ficou bastante preocupado com que iria fazer. Estava irredutível, iria falar e pronto.


Esperei, olhei, e é claro que minha presença os inibiu. Ficaram desconfiados. Dois deles subiram, os outros dias ficaram num canto esperando. Luiz voltou a me ligar. Pediu que deixasse para lá. Tivesse só um pouco de calma que se tratavam de crianças. Com essas palavras ele conseguiu me puxar para realidade. Ainda sem muita vontade tirei o carro para que eles continuarem a brincadeira.


Ao chegar perto do pálio vi a marca de bola, o sangue esquentou de novo, mas tive uma idéia. Chamei um deles, que me olhou logo desconfiado. Acho que pensou que iria lhe dar uma bronca, na verdade propus um trato. Mostrei a marca e pedi que da próxima vez que quisessem brincar de bola e o carro estivesse próximo, me chamassem para eu tirar da frente da garagem. Não sei se vai adiantar, mas de repente lembrei-me que são apenas crianças.


Já subi mais calma e com uma sensação de que por um triz não tomei uma atitude errada. Eu poderia gritar, dar uns esbregues, um chilique, que só iria arrumar mais problema e inclusive com os pais das crianças, que deveriam educar mais não educam.


Pois é, a minha lição do dia vai além de manter a calma, vai para a importância de se pensar antes de fazer ou tomar qualquer atitude e o mais importante, o valor de analisar as situações para compreender tudo que acontece.

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