quinta-feira, 17 de junho de 2010

Um ano que meu diploma não vale nada...


Hoje faz um ano que Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que os meus quatro anos de faculdade não valiam nada. Sim, isso mesmo. Num ato de desvalorização total, eles decidiram que a partir do dia 17 de junho de 2009 para exercer a profissão de jornalista não seria mas necessário o diploma.

Revolta geral, indignação. Como você escolhe uma profissão para sua vida, estuda por quatro anos numa faculdade, muitas vezes precisa pegar ônibus, tirar inúmeras xerox, se sacrificar para conquistar um estágio, se qualificar e numa decisão arbitrária perde todo o seu direito. Quase num piscar de olhos, numa batida de martelo.

De repente pessoas desqualificadas, que não tem o mínimo conhecimento ético de como se deve tratar a notícia, invade o mercado de trabalho, ocupando os lugares de seus verdadeiros donos, por um salário mixuruca. Foi uma verdadeira batalha perdida para as empresas de comunicação brasileiras que pediram que essa decisão fosse aprovada.

Ao lembrar do fatídico dia em que a decisão foi tomada, me volta a angustia e a vontade de chorar. Que raiva senti dos senhores ministros principalmente, no momento que o senhor Gilmar Mendes disse que para escrever basta ter talento, é quase como cozinhar. Mas, não é mesmo assim. É preciso técnica, desafio a qualquer um que não tenha estudado ou aprendido dicas com alguém a fazer uma verdadeira reportagem.

Ser jornalista vai muito além do simples fato de descrever o que foi visto. É necessário saber a importância do Quem? O que? Quando? Onde? Como? e Porque? Para ser jornalista é preciso saber entrevistas; saber chegar ao seu entrevistado; respeitar a fonte acima de tudo; ter ética de saber o limite e a hora de parar; não mentir; contar a verdade dos fatos, sabendo prender o leitos sem necessariamente ser jornalista. É preciso paixão para se ser um bom jornalista e nem todos sabem disso.

Essa falta de conhecimento no trato com a notícia é exatamente o que faz as informações saírem deturpadas. Depois a sociedade é que acaba sendo vítima desse descuido com os fatos, onde pessoas inocentes acabam sendo acusadas de culpadas e por ai vai. Já pensou sua cara sair num jornal como bandido e você não ter nada com isso? Isso pode acontecer!!!

Espero que em breve essa situação mude e a PEC 386/2009 seja em breve aprovada. A Emenda Constitucional está na Câmara Federal para ser analisada e pede que volte a ser exigido o diploma para o exercício da profissão. Além de regular a Lei de Imprensa, que também foi mexida pelos nossos “queridos” ministros.

Volto aqui a deixar o meu repúdio a essa atitude que só desvalorizou a minha profissão!!!!

2 comentários:

  1. Vim discordar de você. O diploma de jornalista pode ter deixado de ser obrigatório para o exercício da profissão, mas você não pode desprezar sua formação de forma alguma, afirmando que seu diploma não vale nada. Ele vale sim. O seu, o meu, o de todos os jornalistas que ralaram a bunda nas bancas da universidade.
    Não tem nada, Láyra, que possa nos tirar a bagagem que essa formação proporcionou. Você tem uma formação de nível superior, fez uma graduação, e mesmo que o seu diploma não seja obrigatório para que você exerça a sua profissão, ele é importante para que você a exerça com conhecimento de causa, sabendo o que está fazendo.
    De fato, a "desobrigatoriedade" da exigência do diploma desvalorizou a profissão, na medida que permite a qualquer um exercê-la. Cabe a nós, então, valorizá-la, fazendo bem nosso trabalho. E nós - como muitos outros colegas diplomados - já fazemos isso.

    Bjoks,

    S.

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  2. Diploma pra que diploma? Sempre acreditei que é através da educação que adquirimos personalidade para determinar nossas escolhas, entender o mundo, aumentar os conhecimentos e conseguir peneirar mais objetivamente as informações recebidas. Por isso concordo com a S. Você não perdeu nada, com seu curso de graduação, muito pelo contrario você com certeza tornou-se muito mais capaz. Para você o seu diploma independe de decisão do Supremo ele é sim muito valido, pois você além de geneticamente competente pode se orgulhar de ter conquistado sua capacitação acadêmica.
    Assim não adianta a mera questão da não obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista, isso serve apenas como manobra política para a não valorização da educação formal. Quem perde são os que infelizmente embasados nessa decisão não irão buscar por seu aperfeiçoamento e crescimento intelectual.
    Beijos
    Te amo minha jornalista graduada e premiada.

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