segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Filhos do crack: uma geração que nasce viciada


A droga, em especial o crack, já tomou conta de Alagoas e do Mundo. As proporções devastadoras desse entorpecente, que virou um problema de calamidade pública são gigantes e faz mais vítimas a cada dia. Na edição do último domingo de O JORNAL, tive a oportunidade de escrever sobre vítimas inocentes dessa droga, que acabam virando usuários sem querer.

Estou falando dos filhos do crack, uma geração de crianças viciadas, com problemas de saúde e comportamentais gravíssimos e que seguiram por uma vida inteira. Os bebês filhos de usuários são pequenos, com a saúde frágil, agitados, bastante desconfiados e carentes. Sem falar, que a droga que a mãe não consegue abandonar, acaba virando vício ainda dentro do útero.


As drogas passam da mãe para o feto basicamente através da placenta, a mesma via percorrida pelos nutrientes para o crescimento e desenvolvimento do feto. A droga altera a função da placenta, reduzindo a troca de oxigênio e nutrientes, causando contrações forçadas e partos prematuros.
Para completar se após o nascimento, o consumo de crack continuar sendo feito perto do bebê e se o leite materno for repassado para ele, também podem causar problemas de saúde. Inclusive, algumas crianças quando retiradas do circulo onde conviviam, podem sofrer com abstinência pela falta da droga.

“O leite da usuária de droga é totalmente comprometido e acaba afetando o bebê, que passa a ser consumidor. Sem falar que utilizar droga próximo do recém nascido é o mesmo que o está drogando”, contou Mário Jorge, diretor médico do Hospital Portugal Ramalho. “Os sintomas nesse caso são de intoxicação como se elas fossem consumidoras. Sofrem problemas de humor, neurológicos, cardíacos e até podem ter abstinência. Sem contar, que o consumo excessivo, se a criança apresentar outras doenças pode acabar matando”.

A realidade de mães usuárias é grande e aumenta a cada dia.O crack vicia de uma forma que o usuário perde totalmente os sentidos, os limites, o amor a ele e ao próximo. Então durante a gestação de um filho não desejado, acabam perdendo os limites e se drogando como se a vida do bebê não dependesse da saúde da mãe.

Durante a entrevista encontrei algumas dessas mães, que hoje estão se tratando, tentando deixar o vício por amor a seus filhos.
Conversei com quatro mulheres, a maioria com filhos de menos de um ano, que se drogaram durante a gravidez e durante a amamentação. As histórias dessas mães se repetem, elas começaram a se drogar adolescentes, engravidaram sem querer e só após conhecer os filhos resolveram tentar largar o crack. Histórias de amor verdadeiro e de muita força de vontade. Quem quiser conhece-las pode acessar no site (http://www.ojornalweb.com/2010/09/26/ojornal-edicao-digital-26-de-setembro-de-2010/) a matéria está lá na integra.

Ao conhecer essas histórias dos filhos do crack tenho que confessar, me assustei ao ver o estrago que essa droga pode causar na vida das pessoas, em especial dessas crianças. É necessário tratamento urgente para essa população de viciados, que a cada dia aumenta mais e faz vítimas mais novas. Sem centros de tratamentos essa população vai morrer cada vez mais cedo e terá ainda mais problemas de saúde. É necessário atitudes emergenciais.

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