quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Essa vida de jornalista...

Foto Alagoas24horas para no dia da rebelião

É cada coisa que jornalista tem que passar para conseguir uma boa notícia. Na última semana, fui enviada para fazer uma matéria no sistema penitenciário. Mulheres de presos estariam protestando na porta do presídio de segurança que deveria ser máxima, Baldomero Cavalcante, porque as visitas a seus familiares tinham sido suspensas. É claro, que quando se trata de notícia com pouco interesse de divulgação por parte de determinados órgãos a imprensa é literalmente repelida.

Falo isso baseada no que aconteceu neste dia. O protesto teria dito início por volta das 7h. Chegamos no presídio umas 9h. A rua pública que dá acesso a entrada do presídio e também a outros bairros da parte alta da cidade, estava bloqueada por agentes penitenciários. Arrogantes, eles disseram que não tínhamos autorização de passar pela barricada. O problema é que outros jornalistas já estavam na frente do presídio cobrindo a confusão.

Fiquei revoltada. Estavam dando preferências a uns e deixando os outros de fora. É claro que não ia sossegar ali. Junto com minha companheira repórter fotográfica Yvette Moura e o nosso motorista Sebastião, seguimos numa caminhada por dentro da Ufal – que fica ao lado do presídio. Entramos no prédio por uma brecha ainda na rua. Passamos por mato alto, estrada de barro e andamos um bocado. O pior é que eu estava de salto alto. Parecia uma andada infinita.

A cada passo que dávamos e nos aproximávamos da confusão meu coração acelerava. Sabia que a coisa estava fervilhando. Conseguimos alcançar nosso objetivo e podemos ver de perto o descaso com aquelas mulheres. Do lado de fora a desinformação e os estrondos vindos de dentro do presídio numa sequência que parecia interminável.

Enlouquecidas, elas tentaram quebrar as grades e invadir o presídio. Foram repelidas a base do gás de pimenta, bombas de efeito moral e balas de borracha, que não pouparam se quer a imprensa que fazia a cobertura. Levei umas duas baforadas de gás de pimenta. Sensação terrível. As mulheres deram repostas, meteram pedra em cima dos agentes. Foi a maior confusão. Tenho que confessar, alguns momentos tive medo de sair machucada e deixei a linha de frente para não me arriscar.

Elas estavam sem notícias e nos jornalistas também. Apesar de estarmos vendo de perto a confusão, o corre-corre, a presença do Grupo de Ações Penitenciárias, tendo notícias vindas por telefones celulares ilegais de dentro do presídio e o pior, escutando as bombas e explosões vindas dos módulos penitenciários, ainda tivemos que ouvir da assessoria de comunicação e direção do Baldomero que estava tudo sob controle e não existia nenhuma rebelião.

Foi um dia cansativo e corrido. Cheios de histórias e experiências. E mais uma vez tive que ativar o senso crítico para filtrar o que ouvi, não acreditar em tudo que foi dito e ficar atento a todos os meus sentidos (muitas vezes o que vemos é mais forte do que as mil palavras ditas).

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