quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Qual o papel da imprensa: informar ou atrapalhar?

O Rio de Janeiro está pegando fogo, literalmente. O clima na cidade Maravilhosa é de guerra no combate ao tráfico de entorpecentes. Nesse momento até o Cristo Redentor está precisando de colete à prova de bala, qualquer um pode ser vítima. A situação do perigo eminente e do confronto está nas emissoras de TV ao vivo e em todo momento do dia.

Estava assistindo as notícias hoje e acompanhando a briga pelo melhor furo entre Globo e Record. Como jornalista, que faz cobertura policial diariamente, me questionei qual é o verdadeiro papel da imprensa em uma situação como essa? Será que a notícia é a prioridade mesmo. Para mim não... O bem comum da sociedade é o que vale mesmo...

O trabalho deles foi feito. Tudo foi noticiado na íntegra, sem cortes, da forma mais instantânea possível, inclusive prejudicando a operação policial e colocando em risco a vida do repórter. A “Guerra Carioca” apresentada pela imprensa nacional, mostrou um pouco da irresponsabilidade dos meios de comunicação, que com suas transmissões ao vivo, de helicópteros acabaram beneficiando a criminalidade.

Esse fato, onde a imprensa nacional mostrou as estratégias de ações e o momento – na hora exata - da entrada do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) nas favelas, acabou fazendo com que os criminosos conseguissem fugir. A situação chegou a ser questionada pela instituição policial, que demonstrou insatisfação com o trabalho, chamando a cobertura jornalística de desserviço prestado pela imprensa.

E quem pensa que a sociedade concorda com esse tipo de ação jornalista, se engana. O comentário do Bope na rede social Twitter gerou a mobilização dos internautas, que não concordaram com a cobertura, já que o que todos querem é que isso acabe com a bandidagem atrás das grades e não com imagens da rede globo, mostrando eles fugindo da favela.

Noticiar é importante. Falar a verdade também, mas manter a ordem, não atrapalhar o trabalho e não colocar a vida de ninguém em risco, é sim, o verdade papel da imprensa. Jornalista quer a boa notícia. Jornalista quer a melhor imagem. Jornalista quer a informação precisa e na íntegra. Mas, jornalista ético não precisa se arriscar, não precisa colocar os outros em risco e muito menos atrapalhar o serviço no combate a criminalidade.

Situações como essa acontecem na mídia nacional e também na local. Conheço vários companheiros de profissão que venderiam a alma por uma matéria exclusiva. Para isso se arriscam e já chegaram até a ser ameaçado, no delírio de um grande furo. Sei que a sociedade tem o direito de saber a verdade, mas sei que minha vida vale muito mais do que a melhor notícia...

Em relação a esse fato a Record se pronunciou dizendo que não recebeu nenhum comunicado da Secretaria de Segurança Pública do Rio proibindo ou indicando qualquer lugar que não pudesse ser filmado. Já a grandeeee, rede Globo, não se manifestou.

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