quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Matam por matar...

Matar se tornou a coisa mais banal do mundo. Fez cara feia, chamou de chato, desagradou a alguém, tenha certeza: você corre o risco de ser assassinado. E as mortes estão cada vez mais humilhantes, degradando a figura do ser humano. Hoje, fiz matéria sobre mais um desses crimes e por mais comum que eles estejam se tornando, voltei a me chocar.

Choquei não apenas pela forma que o crime aconteceu, mais principalmente pela tragédia que mais uma morte causou em uma família. Dessa vez, a vítima foi um menino, 15 anos. Adolescente cheio de vida e bem afeiçoado como me disse o pai, em mais uma entrevista “emocionante” que tive que fazer na porta do IML.

O garoto, que para mim é uma criança, foi morto quando voltava para casa, depois de uma visita a madrinha. Ele estava no ônibus, quando ocorreu um Apagão na cidade. Estava tudo escuro, quando criminosos armados invadiram. Atiraram na cabeça sete vezes. Mataram sem piedade, como se mata um inseto e depois jogaram o corpo para fora.

O pai jura que o filho não tinha envolvimento com drogas. E mesmo que tivesse, não merecia morrer assim. Cadê as chances que as pessoas têm de viver, errar, arrumar a bagunça, bagunçar de novo e continuar vivendo? Isso tem que acabar. As pessoas precisam voltar a amar o próximo e ter piedade.

Quando conversa com o pai, um homem simples, que não queria dar entrevista, mais diante da minha insistência resolveu abrir seu sofrimento, senti uma comoção enorme. Por um momento, me senti parte da família dele. E o mais interessante, é que em nenhum momento, ele pediu que os criminosos fossem encontrados para serem punidos. Aquele homem, que perdeu o filho de forma prematura, queria apenas enterre-lo de forma digna, já que a morte foi injusta.

Ainda nas minhas análises das reportagens que faço, lembrei logo que aquele era mais um pai que perdia seu filho e que amanhã, se tiver de voltar ao IML, encontrei outras famílias dilaceradas pela tragédia urbana. Quando isso vai parar? Quantos ainda terão que morrer? Fico torcendo para isso acabar...

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